terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Imagem Que Falta, de Rithy Panh


A Imagem Que Falta, no original L'image manquante, é um filme de 2013 de Rithy Panh.
Já por aqui (http://estudanteasiatica.blogspot.pt/search?q=Panh) falámos desde cambojano.
Os seus filmes são todos muito pessoais, mas este é declaradamente autobiográfico. Traz-nos as memórias da sua infância, quando a partir dos 13 anos, depois de vida pacata na capital Phnom Penh, é levado juntamente com a sua família para os campos de trabalho, com o objectivo de re-educar as pessoas imbuindo-as do espirito revolucionário socialista. Eram os tempos da ascensão do Khmer Rouge de Pol Pot. O terror dominava, com torturas em massa, muita crueldade e fanatismo por parte de quem nesses anos 70 do século passado tomou o poder.
Diz-nos o narrador, de forma melodiosa, tomando a vez de Rithy Panh:
"Há tantas imagens no mundo, que acreditamos ter visto tudo. Pensado tudo. Há muitos anos que procuro uma imagem que falta. Uma fotografia tirada entre 1975 e 1979 pelos Khmers vermelhos, quando dirigiam o Camboja. Claro, por si só, uma imagem não prova o crime em massa; mas faz pensar; faz meditar. Ajuda a construir a história. Procurei-a em vão nos arquivos, nos documentos, nas aldeias do meu país. Agora sei: essa imagem deve faltar; e não a procurava – não seria obscena e sem significado? Então fabrico-a. O que eu ofereço hoje não é uma imagem, ou a busca de uma única imagem, mas a imagem de uma busca: aquela que o cinema permite. Algumas imagens devem continuar a faltar, devem sempre ser substituídas por outras: nesse movimento encontra-se a vida, o combate, a pena e a beleza, a tristeza dos rostos perdidos, a compreensão daquilo que existiu; por vezes a nobreza, e até a coragem: mas o esquecimento, nunca."


Ao longo do filme documentário, Panh vai dando forma às suas memórias de uma maneira magistral. Trabalhando com um escultor, filma as cenas com modelos de figuras de barro. Tal como um Buda a quem se ora, fala e chora, ele pretende que estas figuras possuam igualmente uma alma. São elas o veículo de transmissão das suas memórias e este seu acto de recordar funciona como uma forma de resistência, para além de tentar entender a natureza do crime perpetrado contra milhões de cambojanos. 
Rithy Panh perdeu toda a sua família próxima nos campos de trabalho. Felizmente há esperança e a humanidade não está só presente nos seus pequenos bonecos de barro, está também na sua grande sensibilidade em nos mostrar as suas sofridas memórias.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Genji Monogatari - O Romance de Genji

Uma das mais celebradas obras literárias de todos os tempos, por muitos referido como o primeiro romance do mundo, o Genji Monogatari foi escrito no início do século XI por Murasaki Shikibu (ou, pelo menos, a ela se atribui esta obra).
Nessa altura vivia-se a época Heian no Japão, uma das mais requintadas e iluminadas. Também a literatura viveu nesta época uma verdadeira explosão, expressando-se os autores sob diversas formas e, mais interessante ainda, as mulheres tinham também a oportunidade de o fazer. Claro que as letradas eram mulheres da corte, que viviam fechadas, daí que o género que mais relevo teve foi o dos diários - os nikki.
No entanto, mais interessante e incrivelmente, esta época Heian legou-nos o referido Genji Monogatari, escrito por uma mulher da corte que nos deixa a pensar como poderá ter experienciado tanto na sua vida para nos contar o que conta (um pouco à semelhança da Emily Bronte no seu O Monte dos Vendavais, mas a lady Murasaki uns quantos séculos antes). 
A história é a dos amores de Genji, o filho de um imperador com a sua concubina preferida. A sua mãe morre cedo e ele gravita na corte, sendo por todos admirado, quer pela sua beleza como pelo seu temperamento.

Da leitura do Genji fica a dúvida: era ele um sedutor ou um predador? 
A figura do Genji lembrou-me o Petchorin de Lermontov no seu "Um Herói do Nosso Tempo". Mas ao invés deste último, o Genji não parece ter quaisquer pudores nos seus amores e na forma como age com as mulheres. Petchorin, esse, ao menos confessava que as suas amantes ao fim de um tempo o passavam a entediar e, por isso, os as tratava de forma desagradável ou as abandonava pura e simplesmente. Murasaki, por seu lado, faz questão de nos dar a ler e ver que o seu príncipe garantia a atenção até ao fim dos seus tempos a qualquer mulher a quem tinha catrapiscado, bonita ou feia (se bem que o que interessava então era mais se a caligrafia das damas era distinta). Mas isso, aos tempos de hoje não chega, é peninha, não é amor, nem sequer respeito. Ou seja, Petchorin era declaradamente mau e sem escrúpulos, mas Genji parece igualmente egoísta e vaidoso, um cínico. Ponto.


Voltando ao livro Genji Monogatari, à volta da corte Heian é-nos contado como se entretinham os homens e as mulheres. Estas não saíram dos espaços privados. E não falavam de política. Aliás, a dado passo, quando diz que fulano vai tomar o poder, a autora escreve mesmo que pede desculpa por estar a entrar nesse tema que não é para mulheres. 
Os temas acerca do qual gira o Genji Monogatari são a caligrafia, a composição de poemas, a contemplação da natureza, a impermanência das estações (tema caro aos japoneses ao longo da sua história) e passatempos como a arte de manejar o pincel, de jogar o go, de tocar koto, flauta e alaúde. Requinte, em resumo.


Alguns exemplos:

"A manhã do primeiro dia do Ano Novo anunciou-se esplendorosa, sem uma única nuvem à vista. Em todos os jardins. Dos mais humildes aos mais sofisticados, a erva verde começava a despontar por entre as grandes manchas brancas de neve e as copas das árvores apareciam envoltas numa bruma que pressagiava a pronta chegada da Primavera e o desabrochar dos corações."

Acerca de um livro que Murasaki, a mulher de Genji, entendia que a sua enteada deveria ter lido, o príncipe respondeu: "Não vejo que utilidade pudessem ter para a instrução da menina! Aliás, seria de mau tom que uma mulher traísse as suas preferências manifestando um gosto exclusivo por uma única arte, tal como seria desagradável se fosse completamente ignorante em todos os domínios. Quanto ao carácter, conviria que fosse segura e senhora de si, sob uma aparência afável e amena..."

"Chegou o décimo primeiro mês, o mês das geadas, com a sua neve e o seu granizo; mas enquanto a neve derretia noutros lugares, ali, à sombra das artemísias e dos amores-de-hortelão que, de manhã à noite, a protegiam do sol, ela acumulava-se em camadas espessas, e no meio dessa neve que fazia pensar na Montanha Branca em Etchu, e que nem sequer era pisada por aqueles que ali passavam ao seu serviço, a Princesa definhava, apática."

Ao longo da obra são experimentados vários poemas, uma vez que, como atrás se referiu, esse era um passatempo que ocupava os elementos da corte Heian. Um exemplo:

"Se o vento tiver de seguir
Ao encontro da união
Dos vossos pensamentos
Oxalá eu já tenha decidido
Desaparecer em fumo"

Outro:

"Enquanto errava tristemente
Por ente mares e montes
Então eram para quem
As lágrimas inesgotáveis 
Cuja torrente me submergia"

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Wenceslau de Moraes


De Wesceslau de Moraes li dois livros este verão, "Paisagens da China e do Japão" e "Traços do Extremo Oriente". A escrita do português mais japonês de sempre é delicada, intimista e apaziguadora. 

Algumas passagens tiradas do "Paisagens da China e do Japão":

- talvez sobre os bambus de Kyoto, "Aqui, um bosque de bambus gigantes, cuja sombra eterna e cuja paz soturna dão alucinações aquele que se aventura em devassar o seu mistério"; 

acerca do shintoismo, "O shintoismo da palavra shinto (a estrada dos deuses), é a crença primitiva, patriarcal, das épocas remotas mo Japão; e conservada até hoje, a despeito da grande propaganda de Buda que se fez e se faz, é ainda a religião nacional, a religião do Estado. O shintoismo é a adoração pelo sol, pelo Imperador seu filho, por todas as forças da criação, pelas divindades protectoras, pelos génios, pelos nobres, pelos heróis e pelos sábios. O templo de shinto é o recinto consagrado a uma dessas invocações. Distingue-se antes de tudo pelo torii, o grande arco de pedra ou de madeira avizinhando do lugar, e como que indicando o caminho ao peregrino. Torii quer dizer descanso dos pássaros.";

- e, como não podia deixar de ser, qualquer texto sobre o Japão não pode fugir de falar sobre a impermanência das estações, "há alguns dias, na cidade de Kobe, - poderia precisar o dia, e quase a hora, se tamanho rigorismo me exigissem, - irrompeu a Primavera. Irrompeu: não há sombra de exagero no vocábulo, irrompeu, surgiu de um pulo, fez explosão. Neste país do Sol Nascente, onde o sol, e com ele todas as grandes forças naturais, são ainda uns selvagens - se assim posso expressar-me - uns selvagens sem freio, sem noção das conveniências, incapazes de se apresentarem de visita, de luva e casaca, numa corte qualquer da nossa Europa; neste Laís do Sol Nascente, ia eu dizendo, a criação inteira apostou, parece, em oferecer em cada dia uma surpresa, toda ela exuberâncias inauditas, espalhafatos únicos, repentismos nervosos, caprichos doidos, como se reunisse em si a quinta essência da alma das crianças e a quinta essência da alma das mulheres, a gargalhada, a troça, enfim, motejadora de tudo quanto é ordem, harmonia, contemporizadora lei das transições.".

E mais algumas passagens, desta vez tiradas do "Traços do Extremo Oriente":

- uma explicação mitológica de como foi formado o arquipélago da Japão, "Copio de um livro as seguintes linhas: - "Antigamente os deuses invisíveis residiam no céu. O deus Yzagani e a deusa Yzanani datam dessa época puramente divina. Um dia, alguns pingos de água caíram da lança do deus, quem quisera sondar a profundeza do mar, e formaram a ilha de Awaji, que se tornou a ilha dos seus amores. A deusa deu ao mundo as oito principais ilhas do Japão, depois os trinta e cinco deuses ou kamis, e entre estes Amaterasu, a deusa do Sol. Amaterasu resolveu suplantar todas as divindades que haviam governado o mundo, em favor de um menino nascido das jóias que lhe ornavam a fronte. O filho do sol desceu à ilha de Kiusiu onde, durante duas gerações, residiu a família imperial; depois do que, dois dos seus membros atravessaram o mar interior, guiados pela ave de oito cabeças e protegidos pela espada milagrosa. Conquistaram o Nippon central aos deuses e aos homens rebeldes. Um deles, Yware Hiko, cujo nome póstumo foi Jimmu Tenno, foi o primeiro soberano do Japão; morreu em 585 antes de Jesus Cristo; os seus descendentes ocupam hoje o trono.";

- e para não deixar dúvidas sobre a preferência de Wesceslau entre o Japão e a China, eis um comentário definitivo, "China é suja e monótona. Loti dizia o inferno amarelo.".

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Guy Delisle na Ásia

Guy Delisle é um canadiano que vive em França e se dedica à animação. É autor de algumas novelas gráficas, como Shenzhen - A Travelogue from China, e Pyongyang - A Journey in North Korea, que li, e Crónicas da Birmânia e Jerusalém, que espero ler em breve.
Está mais que visto, pelo nome das obras, que elas se focam nas viagens do seu autor. 
No caso de Shenzhen e Pyongyang, Delisle foi para lá enviado a trabalho e da sua experiência de vida durante esse tempo dá-nos conta de forma humorada e descontraída. Sem perder o foco nas questões sociais e políticas que estas cidades colocam. 


De Shenzhen, onde esteve 3 meses, e cujo livro data de 2000, conta-nos como foi viver esse tempo numa cidade em construção diária a meio caminho entre o paraíso Hong Kong e a tradicional Cantão. Em Shenzhen podia, assim, constatar o crescimento, ou aparecimento repentino, de mais um edifício enorme. Marca da modernidade. Mas, ao mesmo tempo, a sua estadia era enfadonha e a relação com os chineses ficava como o filme, lost in translation. Os chineses até se esforçavam, mas não iam além de um good morning, mesmo que fosse noite, ou um happy birthday, mesmo que fosse fim de semana.


Pyongyang, de 2003, foi a obra que se seguiu. Também a trabalho, Delisle foi enviado à capital da Coreia do Norte, onde, jura, não voltará. Aqui fica num hotel isolado só para estrangeiros, com dezenas de andares, mas em que apenas um se encontra em funcionamento. Aliás, os estrangeiros concentram-se todos nos mesmos lugares, não mais do que três zonas na cidade, e todos frequentam os mesmos locais, como as festas das organizações não governamentais. Quando saem fazem-no acompanhados de um guia e obrigatoriamente visitam determinados ex-libris, não forçosamente de muito interesse para um não norte-coreano. Na verdade, a questão é esta. Como é que eles seguem acreditando na cassete que lhes é impingida pelo governo? Nas ruas vêem-se inúmeros indivíduos a trabalhar, incluindo ao domingo, supostamente o dia de descanso semanal, sempre num "trabalho voluntário". Os estudantes estão sempre ávidos na preparação das marchas para os grandes eventos que acontecem no país. Existe um cinema que apenas abre de dois em dois anos, para acolher um festival internacional onde participam países amigos com a Síria, a Líbia, o Irão e o Iraque. E os guias contam que se sente espiões por todo o lado, prontos a destabilizar o sistema social norte-coreano. 
Excelentes introduções para a realidade destas duas cidades asiáticas.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Nova China


No império do meio faz ainda mais sentido olhar para o mapa, aquele em que me sinto perdida, tentando encontrar o meu rectângulo à beira mar no centro do dito. Mas ele não está lá. Continua no centro o continente euro-asiático, mas agora com a terra dos han a dominar o centro das atenções, e nós relegados mais para a esquerda, no lugar da América, e esta no lugar da Ásia.
Causa-me sempre alguma confusão quando oiço ou leio opiniões de que a China vai dominar o mundo, tomando o lugar do "ocidente". 
Desconhecerão que a sua é uma das mais antigas e grandiosas civilizações? Que apesar da política de se manter isolada do resto do mundo, baseando as suas relações num sistema tributário ao qual estava subjacente o entendimento da sua auto-suficiência, a sua "decadência" não terá durado mais de 100 anos?
Pois, para a memória curta, só nos lembramos dos episódios das guerras do ópio e do retalho do país pelos ocidentais, russos e japoneses na segunda metade do século XIX e princípios do século XX. 
Mas que dizer do testemunho de Marco Polo que por lá passou no século XIII e que despertou a curiosidade e encantou o "velho mundo"? Que dizer do fascínio pelas porcelanas Ming, pelas sedas, pelo chá, após Portugal ter ligado comercialmente as duas costas do mesmo continente?
Isto para não ir ainda mais atrás, pois a partir daqui deixou de haver desculpas para o nosso desconhecimento da grandeza de uma outra civilização.
Os orientais, ao contrário dos ocidentais (ler o livro The Geography of Thought - How Asians and Westerners Think Differently...and Why, de Richard Nisbett, para melhor esclarecimento), têm tendência a ver o universo de uma forma cíclica (nós é mais linhas rectas, uma visão que se costuma apodar de linear). A  anunciada tomada do governo do mundo pelos chineses em breve (apregoado, entre outros, por Martin Jacques em Quando a China Mandar no Mundo) mais não é do que um retomar do papel da China na história mundial de acordo com com esta visão cíclica, em que se volta sempre ao início da rodinha.
Uma nota mais. São os próprios chineses a admitir que o seu país não é comunista. Duibuqi, também não é capitalista. É um país que segue um projecto próprio, comunismo de rosto capitalista. Ou capitalismo de rosto comunista. As grandes marcas ocidentais, tipo a Nike, estão a fugir de lá porque a mão de obra mais barata deixou de estar aqui. Mas outras grandes marcas ocidentais, tipo a Apple, continuam cá porque sabem que os chineses são bons a trabalhar com tecnologia. Ou seja, os chineses estão a enriquecer, estão a estudar mais, estão a viajar por todo o lado, seja no seu país, na Ásia ou em todo o mundo - a China já é o país que mais contribuí com viajantes para o turismo mundial. Abrem delegações do Instituto Confúcio por todo o mundo - o mandarim está na moda. 
Não ignoro os custos deste novo rumo da China, em que todos nos campos parecem querer demandar às cidades e que para cumprir o seu sonho de um futuro melhor que lhes foi prometido terão de trabalhar o dia todo, a semana toda, o ano todo. E isso, também, prova as características especiais deste modelo de China. Nem bom, nem mau. É o que calhou nesta parte do ciclo.

O último imperador


Filme do italiano Bernardo Bertoluci, arrasou os prémios dos Óscares em 1987.
Conta-nos a história da vida de Puyi, o último imperador chinês, que assistiu à queda da dinastia manchu Qing. Puyi subiu ao trono ainda muito criança, após a morte da sua tia-avó Cixi, a mítica imperatriz viúva.
Bertoluci conseguiu pela primeira vez a autorização para um ocidental filmar na Cidade Proibida e é aqui que vemos Puyi a ser coroado, a ser tutorado pelo inglês Sir Reginald Fleming Johnston e a ser mantido "preso" nos limites deste complexo após a instauração da República em 1912. Depois desta data a vida de Puyi dá uma volta enorme e acaba por ser expulso da Cidade Proibida e deixa-se encantar pela formação do estado fantoche de Manchukuo às mãos dos japoneses, para onde ele é convidado a ser a figura imperial. Lembrar que a Manchúria é a terra ancestral dos manchus. Com o fim da guerra e a derrota dos japoneses, Puyi é acusado de colaboracionista e preso. Acaba os seus dias em Pequim, de forma anónima, como se fosse apenas mais um vizinho. 
Bom documento histórico de uma parte do século XX chinês.

China - Um Toque de Pecado


"Tian zhu ding", no seu original, é um filme de 2013 de Jia Zhangke, estreado nos cinemas portugueses.
Este mestre do documentário chinês, autor de Still Life, The World ou Xiao Wu, traz-nos agora várias histórias num mesmo filme. Mas a temática comum é a tradição do passado e a chegada do progresso e do capitalismo. Apesar de ao início vermos a deslocação em massa dos chineses de volta às suas terras natais e famílias para a passagem do Ano Novo Chinês, em especial, de um homem deslocado e amargurado, Jia pergunta-se porque é que as pessoas estão a ficar cada vez mais distantes umas das outras. O país acelera rumo ao desenvolvimento, mudando drasticamente, a modernidade chega (vêem-se telemóveis e internet e adolescentes a fazerem de tudo para os ter), mas ao mesmo tempo está longe da maioria dos chineses.
A propósito de uma comparação entre Europa e China e da forma como é cá recebido, o realizador diz-nos (entrevista ao Expresso) que na Europa valorizamos o seu trabalho a nível estético e que na China apreciam apenas a história e a qualidade do drama.
Admirado na Europa, os filmes de Jia nem sempre são fáceis e estão longe de ser populares. No entanto, não se pense que não há história a contar. O que há é uma forma não convencional de o fazer. Os seus filmes dão-nos um insight poderoso sobre a realidade da vida dos chineses nossos contemporâneos. Realidade essa que nos é muito estranha.